Léxico: «cy-près»

Não ficaria de fora

 

      «Essa solução é dificilmente conciliável com a vontade do doador anónimo original. Nos documentos de criação do National Fund pode ler-se que o doador não queria que se fizessem “contribuições triviais para aliviar a dívida pública”. Queria que se acabasse com toda a dívida, ponto final. O que fazer, então, com este bolo de 475 milhões de libras (537 milhões de euros)? “Não é desejável manter perpetuamente este fundo, que já acumulou uma verba considerável e que tem custos de administração”, diz ainda Barbara Rich. Para esta advogada, a solução poderá passar pela figura jurídica do “cy-près”, uma expressão normanda antiga que significa, na prática, encontrar um objeto alternativo que se aproxime o mais possível do objeto ou vontade inicial do fundador. “O doador original não queria que se pagasse apenas uma parte da dívida. Uma solução para o problema poderia ser, por exemplo, aplicar o dinheiro em organizações de caridade que são suportadas por dinheiros públicos. Porque não doar o dinheiro a organismos ligados à I Guerra Mundial, associações de veteranos ou de preservação de monumentos e cemitérios ligados à guerra?”» («Dívida de gratidão», Paulo Anunciação, «Revista E»/Expresso, n.º 2385, 14.07.2018).

      Bem sei que se trata de um termo jurídico, mas pelo menos num dicionário como Le Trésor de la Langue Française Informatisé ele devia figurar. Nada. Também se vê escrito cy près e cy pres. Deriva, como o jornalista afirma, do francês normando cy près [comme possible], que significa o mais próximo do possível. Eu não hesitaria em acolhê-lo até num dicionário bilingue. Como se fazem os melhores dicionários?

 

[Texto 9623]

Helder Guégués às 12:31 | comentar | favorito | partilhar
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