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Linguagista

Léxico: «donato»

Repor a verdade

 

      «Oito anos depois foi ocupado pelos frades Carmelitas de Moura, tendo sido doado à Ordem do Carmo. Em 1423, o Santo Condestável despojou-se das suas riquezas materiais e vestiu o hábito de donato carmelita neste seu convento. Aqui habitou uma pequena cela e morreu em 1431» («De convento a quartel», Luciano Alvarez, Público, 24.04.2019, p. 10).

    O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora diz-nos que donato é o «leigo que servia em convento de frades e que trazia o respectivo hábito». À primeira vista, diria que a definição está errada. E à segunda também. «Leigo que servia» remete-nos logo para um criado, que os havia nos conventos, sim. Exerciam, é certo, os ofícios mais humildes, mas não eram criados. Mais: «e que trazia o respectivo hábito». Errado: o donato carmelita, ou semifrater, não usava o hábito da Ordem do Carmo, mas sim um tabardo comprido, composto de túnica e capa de fazenda grosseira castanha-escura. E usava barba. O hipster medieval.

 

[Texto 11 252]