Léxico: «fabela/ sesamóide / sesamóideo»

Se aprofundarmos um pouco...

 

      «Há um pequeno osso no joelho que se pensava estar a desaparecer com a evolução. Chama-se fabela, uma palavra que vem do latim e significa “pequeno feijão”, está ligado a um aumento do risco de artrose, segundo um estudo do Imperial College de Londres, é hoje três vezes mais comum do que há um século. A fabela é um osso sesamoide, isto é, um osso arredondado, que cresce no tendão de um músculo (o maior é a patela, ou rótula). A fabela é muito mais pequena e fica atrás do joelho, sendo por vezes nas radiografias confundido com um fragmento ósseo ou um corpo estranho [osteófito]. Mas nem todas as pessoas o têm» («Dói-lhe o joelho? A culpa pode ser da fabela, o osso que está a ressurgir», Diário de Notícias, 19.04.2019, 17h41).

      Não sei se eu o tenho ou não; sei que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o ignora, registando apenas uma acepção, como outros dicionários: a de «pequena fábula». O Dicionário de Termos Médicos, contudo, regista-o: «Pequena fibrocartilagem que, por vezes, se forma nos músculos gémeos e que é visível em radiografias.» A definição, porém, não está correcta, pois a fabela tanto pode ter natureza fibrocartilaginosa como óssea. Aliás, o artigo não fala em osso sesamóide? Ora, os sesamóides (como a rótula, ou patela) tanto podem ser pequenos ossos como cartilagens. De qualquer maneira, a redacção induz em erro. Reparem: «pequena fibrocartilagem que, por vezes, se forma». O que significa isto? Para mim, que da noite para o dia — longe vá o agoiro! — nos pode aparecer este osso. Trata-se de um osso inconstante, quer dizer, uns têm, outros não. Aprofundando um pouco mais: salvo melhor opinião (vários médicos seguem este blogue), a definição de sesamóide tão-pouco está correcta. Diz assim: «ANATOMIA designação de uns pequenos ossos ou cartilagens supranumerários que se encontram próximos das articulações ou no seio de tendões». (E porque não regista sesamóideo, «com a forma da semente do sésamo»?) Pretendem afirmar que a rótula, por exemplo, um sesamóide, é um osso supranumerário?

 

[Texto 11 229]

Helder Guégués às 07:41 | comentar | favorito
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