Léxico: «fenilcetonuria | fenilcetonúria»

De uma só vez, um só esforço

 

      «O programa arrancou em Portugal em 1979 com o rastreio da fenilcetonuria, que tem uma prevalência em Portugal de um caso por cada 10.867 nascimentos, e dois anos mais tarde passou a incluir o hipertiroidismo congénito, com uma prevalência de um caso por cada 2.892 nascimentos» («Nasceram mais 42 mil bebés nos primeiros seis meses do ano», Rádio Renascença, 18.07.2019, 7h48).

      O título é ambíguo, enganador até, mas não vamos agora tratar do caso. Vamos a fenilcetonuria. Se consultarmos o verbete no dicionário da Porto Editora, não ficamos a saber que há outra grafia, acentuada, fenilcetonúria. «PATOLOGIA defeito congénito do metabolismo proteico, que afecta o sistema nervoso central, causando grave atraso mental». Já se cairmos em fenilcetonúria, temos uma mera remissão: «PATOLOGIA ver fenilcetonuria». Isto faz sentido? Não faz. Lógico, económico, seria termos somente um verbete, assim: «fenilcetonuria, fenilcetonúria». Há outros vocábulos com o mesmo tratamento naquele dicionário. De uma só vez, o falante fica a saber tudo.

 

[Texto 11 801]

Helder Guégués às 08:41 | favorito