Léxico: «fulmar»

Demasiado útil para desistir

 

      «O céu está limpo, o mar está calmo e duas embarcações vão em direcção à liberdade. No Galeota, um bote rígido da Polícia Marítima, vão várias caixas com 23 aves reabilitadas no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos (CRAM), do Ecomare — Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos, na Gafanha da Nazaré (Aveiro)» («23 aves voltam para a sua casa no mar», Teresa Serafim, Público, 24.02.2018, p. 23).

      Já tinha desistido de sugerir os nomes comuns de animais e de plantas que vou encontrando ao sabor das minhas leituras, mas tenho de arrepiar caminho, pois é um trabalho mais útil do que alguns levianos que leiam isto possam julgar. Em princípio, as fontes serão sempre jornais, neste aspecto muito mais fiáveis do que, por exemplo, traduções. Habitualmente, os nomes surgem em reportagens ou entrevistas com biólogos ou especialistas que sabem do que falam, e quase sempre temos o nome científico e o nome comum. Que mais queremos nós, que mais querem os lexicógrafos? Assim, das aves libertadas — gansos-patolas, tordas-mergulheiras, airos e fulmares —, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só não regista esta última. «“Prontos para outro?”, anuncia a bióloga [Marisa Ferreira]. E tira a tampa para o fulmar (Fulmarus glacialis) sair da caixa.»

 

[Texto 8800]

Helder Guégués às 17:24 | comentar | favorito
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