Léxico: «gamela»

Minho e Douro Litoral

 

      «Mas esses são pequenos sustos. “Passei coisas aqui no rio que só eu é que sei”, conta [Gastão Teixeira]. “Tinha uns 18 ou 19 anos quando vi uma pessoa a atirar-se da ponte de baixo. Peguei num barquito, uma gamela, do lado de Gaia, e fui apanhar o corpo em frente ao Cálem. Parti uma tábua desse barco e dessa tábua fiz remo. E levei o corpo para terra, com a água a entrar.” Admite que nem toda a gente tenha coragem para o mesmo. Ele só a ganhou com os anos e porque, revela, teve um bom professor – o Duque da Ribeira, Diocleciano Monteiro, famoso por ensinar os meninos da Ribeira a nadar e por resgatar os corpos dos suicidas da Ponte Luís I das profundezas do rio Douro, num processo chamado “gratear”» («“Acho facílimo que se volte aos castigos físicos nas escolas portuguesas”», Beatriz Pinto, Diário de Notícias, 17.09.2018, 6h24).

      Uma gamela destas não encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. É uma embarcação outrora muito usada desde La Guardia e em toda a corda do litoral até Viana. O dicionário da Porto Editora só regista um sinónimo, masseira. Quanto a gratear, mais útil seria repetir a definição que tem em rocegar.

 

[Texto 9929]

Helder Guégués às 10:07 | comentar | favorito
Etiquetas: ,