Léxico: «gozo»

Coisas de cão

 

      «Sou um bêbedo, estou sempre bêbedo!», declarou Damasozinho, nos Maias (Celia — ou Célia? —, tem de ir mais para trás no blogue), «n’um medo vil de cão gôso». Na edição dos Livros do Brasil, lê-se quase o mesmo: «num medo vil de cão goso». E ficamos na mesma. É gozo que se escreve agora, que designa o cão sem raça definida. É o Canis familiaris. Já o étimo será mera especulação. Por sorte, já conhecia a palavra de Tomaz de Figueiredo, na Noite das Oliveiras: «Que bojardas, e vitoriosas, que Evangelho da Estupidez! E, ao mesmo passo, que rastejar de cão gozo e famélico, que acenicar de rabo de cão que mendiga côdea!» (Lisboa: Editorial Verbo, 1965, p. 244).

 

[Texto 6081]

Helder Guégués às 17:33 | comentar | favorito
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