Léxico: «inscritivo»

Quase no osso

 

      «Carlos Branco, um dos curadores da exposição [«O mais profundo é a pele», no MUDE, que mostra tatuagens recolhidas entre 1910 e 1940] trabalhou no restauro dos 60 fragmentos expostos, alguns com mais de cem anos e conta que à época existiam vários tipos de tatuagens, “as inscritivas com nomes e datas, as tatuagens amorosas, eróticas, animais, flores e depois aquelas mais simbólicas como o saimão ou os cinco pontos, o homem entre quatro paredes”» («À flor da pele», TSF, 30.03.2017, 18h15).

      Curioso: vai para cem anos, já se usava o adjectivo inscritivo para descrever tatuagens; agora, não há um dicionário que o registe. Iam deixando a língua no osso. Já saimão é diferente: é verdade que está registado em alguns dicionários (encontramo-lo, por exemplo, no Grande Dicionário da Língua Portuguesa de José Pedro Machado), mas apenas para se dizer que é a forma alterada de Salomão e que se usa somente no vocábulo composto signo-saimão, ou sino-saimão, ou sino-de-saimão, ou senhor-saimão, ou... Seja como for, nunca li ou ouvi «saimão» para significar «signo-saimão», como também ninguém diz «lazúli» querendo referir-se ao «lápis-luzúli», acho eu.

 

[Texto 7647]

Helder Guégués às 20:31 | comentar | favorito
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