Léxico: «inverneira»

O que já sabíamos

 

      «Sem gente há cerca de 15 anos, a inverneira de Pontes, em Castro Laboreiro, estava abandonada. Sozinho e sem apoio financeiro, Manuel Rodrigues, que passou uma década fora do país, já reconstruiu quatro casas. [...] Moravam lá várias famílias — os Fampas, os Tumbas, os Longos, os Valenças, os Soajos e os Chavarrigas —, que entre Dezembro e Março desciam da branda onde moravam no resto do ano para passarem o Inverno naquela inverneira do concelho mais a norte de Portugal. Consigo levavam o gado e alguns bens. De malas aviadas, cumpriam todos os anos esse ritual necessário para se protegerem das condições climatéricas agrestes da montanha, sem deixarem de continuar a garantir que o trabalho na terra continuasse a ser realizado» («Reconstruir a aldeia inteira com as mãos para não desaparecer», André Borges Vieira, Público, 8.12.2019, p. 13).

      Ou seja, ao contrário do que se lê no dicionário da Porto Editora, inverneira não é somente a «pastagem em zona de vale ou protegida, usada durante as estações frias».

 

[Texto 12 431]

Helder Guégués às 08:30 | favorito