«Embaixadora», de novo

É duro, mas é a língua

 

      «Sobre os arguidos sabe-se que um é o juiz-desembargador Rui Rangel, a também juíza-desembargadora Fátima Galante, de quem o magistrado está separado há mais de uma década, e Luís Filipe Vieira» («Perguntas e respostas», M. O., Público, 31.01.2018, p. 2).

      Recentemente, estranhei aqui a definição de «embaixadora» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Agora, comparando os verbetes juíza e embaixadora, a minha estranheza aumentou. Vejamos: para aquele dicionário, relembro, embaixadora é, «por flexão de género, depois de aberto o acesso pleno das mulheres à carreira diplomática, representante, no grau mais elevado, de um Estado junto de outro; chefe do corpo diplomático de um país junto de outro». Ora, se até 1974 a magistratura era uma profissão vedada às mulheres, nada de mais natural que, seguindo essa linha, juíza fosse, «por flexão de género, depois de aberto o acesso pleno das mulheres à carreira na magistratura, magistrada que administra a justiça, tendo como função aplicar a lei». Mas não, define-a assim: «magistrada que administra a justiça, tendo como função aplicar a lei». Nada justifica essa diferença de tratamento dicionarístico.

 

[Texto 8648]

Helder Guégués às 15:51 | favorito
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