Léxico: «lobo-siberiano» — e outros

Só lobos

 

      «A deslocação do Presidente da República à Rússia para assistir à vitória de Portugal frente a Marrocos foi frenética. OK, estamos a falar de Marcelo e tudo nele é mais ou menos agitado, mas a viagem ao país dos sovietes [sic] terá ultrapassado as marcas do razoável. Vejamos a agenda cumprida: Marcelo chegou na terça-feira e, ainda no aeroporto, encontrou-se e trocou umas bolas com Zabivaka, o lobo-siberiano que é a mascote do Mundial, e à noite foi dar uma volta no famoso metro de Moscovo, onde tirou algumas selfies com os cidadãos» («A visita. Marcelo no país dos sovietes», Público, 23.06.2018, p. 8).

      Pertencentes ao género Canis, há três espécies vivas: lobo-cinzento (Canis lupus), lobo-vermelho (Canis rufus) e lobo-etíope (Canis simensis), as demais são subespécies. Nenhuma delas — nem lobo-siberiano (também Canis lupus) — o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista. E a propósito, sabiam que temos os adjectivos lupino e lobuno? O primeiro soa quase como se estivesse a sair dos lábios de qualquer cidadão do Império Romano, mas o segundo formou-se já na nossa língua e, curiosidade que me levou a falar de ambos, não são sinónimos. Se lupino é o relativo ao lobo, lobuno é o animal que é da cor do lobo.

 

[Texto 9487]

Helder Guégués às 16:37 | favorito
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