Léxico: «lucioperca»

Como este

                  

      «E agora, já podemos comer o peixe e a lampreia do Tejo? “Eu como”, afirma, convicto, o pescador. “E digo-lhe que estive 11 meses sem ir à pesca, apesar de nunca ter havido proibições. Eu é que via que a água não estava em condições. Foram 11 meses sem deitar uma rede ao rio e sem se ganhar nenhum dinheiro. Foi complicado”, relembra. E como diz Francisco, “para se estragar tudo, bastam dois ou três dias, para recuperar leva anos. Há espécies de peixes que praticamente desapareceram do rio, como as bogas, o peixe-rei ou os góbios. Só cá estão os mais resistentes, como o barbo e a carpa e pouco mais. Agora há as espécies novas como o siluro, o lucioperca e o alburno”» («Ortiga/Mação: “Só temos esta maneira de fazer lampreia e não queremos outra”», Patrícia Seixas, Antena Livre, 14.02.2019).

      Esta é uma das grandes falhas dos nossos dicionários, nomes comuns da fauna e da flora. O alburno vimo-lo anteontem. Ei-lo hoje aqui de novo. Até um simples pescador sabe! O lucioperca ou sandre (Sander lucioperca), por exemplo, nem rasto dele no dicionário da Porto Editora. Sandre, contudo, vamos encontrá-lo num bilingue, o de alemão-português, mas, não estando registado no dicionário geral da língua, é em parte inservível.

 

[Texto 11 128]

Helder Guégués às 10:29 | favorito
Etiquetas: ,