Léxico: «marcionita»

De novo com Jonas

 

      «Para os Marcionitas, o Deus supremo opõe-se ao Deus criador do universo material e da Lei mosaica. Por isso há três céus ou três mundos: no primeiro, superior e inacessível, habita o Deus supremo que só foi revelado por Jesus Cristo; no segundo habita o Deus do Génesis e da Lei de Moisés, que se compara inclusivamente com o Diabo; o terceiro é o da matéria, da terra e dos seus poderes» (Jesus de Nazaré: Quem És Tu?, Joaquim Carreira das Neves. Braga: Editorial Franciscana, 1980, p. 213).

      A minha escolha seria sempre esta, e por isso mesmo fico surpreendido por ver que o dicionário da Porto Editora só regista marcionista. O VOLP da Academia Brasileira de Letras regista ambas as formas, marcionita e marcionista. E agora a definição de marcionismo naquele dicionário: «RELIGIÃO doutrina dualista de Marcião (século II d.C.), considerada herética pela Igreja católica, que defendia uma separação radical entre o cristianismo e a fé judaica, com base na ideia de que o Deus do Antigo Testamento não seria o mesmo que o revelado por Jesus». Marciões há muitos: este, figura central no gnosticismo, era Marcião de Sinope. Sinope era uma cidade no Ponto Euxino, onde seu pai era bispo. Era, portanto, conterrâneo de Diógenes de Sinope, o da lanterna. A propósito, diga-se que temos um nome comum derivado do nome desta cidade: sinople (sinopla ou sinopera), uma terra vermelha proveniente daquela cidade pôntica. Também não percebo porque não regista o Dicionário de Toponímia da Porto Editora os nomes de todas estas cidades da Antiguidade, que vejo tantas vezes escritos com erros.

 

[Texto 11 645]

Helder Guégués às 19:04 | favorito
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