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Linguagista

Léxico: «mononímia | monónimo»

Regresso ao passado

 

      «Tout est question d’usage. D’un côté, la tradition romaine de la “ tria nomina ” (prénom, nom et surnom) : Caius Julius Caesar, Marcus Tullius Cicero, dont la postérité n’a retenu que les surnoms, César et Cicéron (“pois chiche”). À l’inverse, les Grecs anciens se désignaient par un seul mot (Platon, Aristote, Péricles). Durant tout le Moyen Âge a prévalu la dénomination unique (mononyme). Aujourd’hui, la culture d’internet favorise le pseudonyme et “la dislocation des structures familiales rend la notion même de patronyme moins légitime”, observe l’historien Raphaël Doan. Il pense donc que “les noms de famille vont disparaitre... au prochain ou dans les prochains siècles”, tient-il à préciser» («La tyrannie du prénom déferle sur la France : le nom de famille est-il voué à disparaître?», Jean-Pierre Robin, Le Figaro, 17.11.2025, p. 27).

      A ver vamos. Para já, contudo, este fenómeno também nos atingiu: em contacto com o serviço de apoio, por exemplo, de uma operadora de telecomunicações, sou simplesmente «o Helder». É o regresso à mononímia medieva. Isto reflecte várias tendências, como a horizontalização das relações, com menor ênfase nas hierarquias e formalismos (o que antes se fazia com «Senhor Silva» ou «Engenheiro Duarte» passou a fazer-se com «o João» ou «a Marta»); a influência dos modelos anglo-americanos (nomeadamente da cultura digital e do marketing), em que a informalidade é muitas vezes percebida como mais amigável ou eficaz; e a despersonalização paradoxal: ao tratar todos pelo nome próprio, acaba por haver uma diluição da identidade.

[Texto 22 006]

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