Léxico: «ómnibus»

Algo vai mal no reino

 

      «Aparecem os primeiros ómnibus de quinze lugares conduzindo os passageiros a Belém por um tostão, e a novidade causa revolta entre os alugadores de seges e os barqueiros da margem do Tejo» (Um Ano Trágico: Lisboa em 1836, Luís Varela Aldemira. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura, 1936, p. 27).

      A Porto Editora acha que se deve dizer «ónibus», e, contudo, considera errada a grafia «onipotente». Em que ficamos? Na realidade, a única forma correcta é ómnibus. José Pedro Machado também regista ónibus, é certo, mas remete para ómnibus: «Var. de ómnibus, a forma mais usada.» Como é que agora, valha-me Deus!, simplesmente eliminaram dos dicionários a forma correcta? E será necessário relembrar o que escreveu Botelho do Amaral sobre esta questão? Algo vai mal no reino dos dicionários. De vez em quando, fico estarrecido com opções abstrusas.

 

[Texto 11 265]

Helder Guégués às 17:31 | favorito