Léxico: «par-ou-nunes»

Estranha ausência

 

      Podia ser agora, e não figuradamente, com as barbas na moda: os miúdos na escola «jogavam ao par-ou-nunes nas barbas do mestre». Aspas, porque é o tradutor que o escreve assim. Ora, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que não o regista, acolhe par-ou-pernão — precisamente, ao que creio, o mesmo jogo, embora a definição, que me parece pouco clara, quando não errada, diga isto: «jogo popular com pinhões, pela quadra do Natal». Nunes não é o nosso vizinho, mas corruptela do termo latino nones, plural de non, «não», e também nós temos a variante nones. Para verem como as remissões já não são o que eram — ou o que alguns, que julgam pontificar nestas matérias, crêem que são —, no dicionário da Porto Editora remete-se de «nones» para «nunes». Em suma, se se escreve «par-ou-pernão», tem também de se escrever «par-ou-nunes» — e registá-lo nos dicionários.

 

[Texto 10 243]

Helder Guégués às 18:14 | comentar | favorito | partilhar
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