Léxico: «pica»

Numa mão, a G3, na outra, a pica

 

      «“O soldado português foi, pelo menos para mim, o primeiro choque com a realidade. A boa e a má. A boa foi ter a certeza que, com eles e como eles, havia de sobreviver. Os manuais de tática resumiam-se a sobreviver, a desenrascar. Palavra que devia constar do hino nacional. A instrução era um curso acelerado de sobrevivência e desenrascanço: para acampar, comer, marchar. Não deixa de ser curioso lembrar que a formação de combate mais utilizada era a fila por um — a bicha de pirilau — assim como não deixa de ser relevante que as tropas portuguesas tenham feito a guerra sem uma mochila adequada. Ou que o aparelho para detetar as minas tenha sido uma vara de aço, a chamada pica”, descreveu Carlos Matos Gomes numa comunicação pública em 2007» («A história dos primeiros soldados a embarcar para a Guerra do Ultramar», Marta Martins Silva, Sábado, 15.02.2020, 8h22).

      Como seria de esperar, mas é lamentável comprovar, nenhum dicionário nosso regista esta acepção de pica.

 

[Texto 13 985]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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