Léxico: «progeria»

Façam lá isso com cuidado

 

      «Sammy Basso nasceu com progeria, doença sem cura do envelhecimento precoce. Médicos diziam que tinha 13 anos de vida, mas já tem 23. Agora, publicou estudo “revolucionário” que pode levar à sua cura. [...] No tempo de vida que já leva para lá do prognóstico médico — que já ultrapassou quase no dobro —, fez uma viagem ao longo da Route 66, a estrada que atravessa os EUA de costa a costa, resultando daí uma série para a National Geographic e o livro Il viaggio di Sammy; e terminou o curso de biologia na Universidade de Pádova» («Doença rara não lhe dava mais de 13 anos, mas Sammy já tem 23, um livro e um curso — e agora investiga a cura», Observador, 19.02.2019, 16h26).

      Universidade de Pádova. Claro, o nosso bom povo até reza assim: «Sant’Antonio, glorioso servo di Dio, famoso per i tuoi meriti e i potenti miracoli, aiutaci a ritrovare le cose perdute.» Aqui, a coisa perdida é a básica cultura geral. Progeria está no dicionário da Porto Editora, mas é demasiado sucinto: «doença rara em que os sinais de senilidade aparecem antes da puberdade». Não tem de ser nem pode ser uma tese, mas há meio-termo; experimentem dar uma olhadela na definição do Sacconi. Uma coisa, a meu ver, não pode omitir-se: que a progeria também tem a designação de síndrome de Hutchinson-Gilford. Uma observação final: não hei-de estar muito enganado se afirmar que a maioria das vezes se dirá e escreverá progéria — a ortografia do Brasil, que o dicionário da Porto Editora também acolhe.

 

[Texto 10 833]

Helder Guégués às 09:17 | comentar | favorito