Léxico: «quibangismo»

Desapossados da História

 

    «Mais do que guerras inexistentes, terroristas duvidosos, tribos isoladas, agentes estrangeiros, quibangismos desconhecidos, sistemas de segurança, materiais bélicos e tropas nacionais, falavam agora de mim e de minha irmã Lida» (A Garota do Kalussowa, Fernanda Vicente. Lisboa: Editorial Escritor, 1998, p. 292).

   Não é da literatura, não. Ainda ontem, no episódio 9 da série História a História, África, Fernando Rosas usou o termo quibangismo e explicou a importância que teve na chamada Revolta da Baixa do Cassange, que desembocou na Guerra Colonial. É o nome de um movimento profético-messiânico fundado no Congo Belga por um tal Simão Kibango, no início do século XX. Dois termos, então: quibangismo e quibangista. Relacionado, na sua génese, está o tocoísmo, que o dicionário da Porto Editora acolhe, esquecendo-se, porém, de tocoísta. Portanto, mais um pedaço de História sonegado pelos dicionários.

 

[Texto 8854]

Helder Guégués às 13:19 | comentar | favorito
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