Léxico: «quitute»

A tal monomania

 

      «Three Bones Restaurant & Lounge. Os fãs da gastronomia angolana podem agora rumar ao coração de Lisboa para saciar os seus desejos por quitaba, quitutes, funge, moamba de gimguba (30,90€), muqueca de marismo (24,90€), calulu de peixe seco e fresco (36€) e sumo natural de múcua» («A provar este mês», Rita Caetano e Filipa Basílio da Silva, Saber Viver, Setembro de 2019, p. 126).

      Lá se revela, no dicionário da Porto Editora, a tal monomania do brasileirismo, erro que mancha tanto como qualquer outro. Gostava de falar com a pessoa que fez este lindo serviço... Bem, quitute: «Brasil iguaria delicada; pitéu; paparico». Pois, não: quitute é termo usado tanto em Angola como no Brasil. Não é em vão que vem do quimbundo. (Para as jornalistas: acho que compreendem que é e só podia ser «ginguba», ou não? Podia ser «funge», mas é «funje». Há saber viver e há saber escrever.)

 

[Texto 12 526]

Helder Guégués às 14:45 | favorito