Léxico: «rícino»

Perde o leitor, como sempre

 

      «A polícia da cidade alemã de Colónia destacou um grande aparato policial para fazer buscas no prédio de um presumível suspeito de terrorismo que tinha em casa grande quantidade de ricina. Fontes oficiais dizem que a quantidade encontrada daria para fabricar mais de mil doses letais de pó venenoso. [...] A investigação a Seif foi iniciada depois de comprar na internet um milhar de sementes de mamona, planta de onde se extrai o veneno» («Polícia impede ataque biológico», F. J. Gonçalves, Correio da Manhã, 16.06.2018, p. 36).

      Começa logo mal no título auxiliar, pois escrevem assim: «Mais de mil doses letais de rícina encontradas em Colónia.» Instala-se logo a dúvida no leitor, ou instala-se o erro, pois o falante mais desprevenido — quase todos — irá pensar que é indiferente. Começa mal e acaba mal: sementes de mamona é o mesmo que sementes de rícino. Ora, não seria melhor usarem-se apenas os termos «ricina» e «rícino»? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora devia acrescentar o nome científico, Ricinus communis, no verbete de rícino, mantendo o de mamona, onde apenas faz uma remissão.

 

[Texto 9418]

Helder Guégués às 11:31 | favorito