Léxico: «sabre»

Muito pobrezinho

 

      «A Federação Francesa de Esgrima anunciou que vai passar a reconhecer as lutas com “sabres de luz” — a icónica arma da saga “Start Wars”, de George Lucas — como um desporto de competição. [...] Assim, para além das tradicionais categorias de esgrima — sabre, florete e espada — a federação que regula a modalidade em França vai reconhecer uma quarta categoria: a luta com espadas inspiradas no universo de Star Wars. O reconhecimento vai ao ponto de a federação estar a oferecer um espaço para as primeiras competições» («França reconhece luta de “sabres de luz” como desporto oficial», Rui Barros, Inês Braga Sampaio, Rádio Renascença, 19.02.2019, 15h31).

      Em francês, diz-se sabre laser. Ainda bem, então, que entre nós se popularizou o sabre de luz. O director técnico da Federação Portuguesa de Esgrima, Miguel Machado, já veio dizer que não lhe parece que a nova categoria possa vir a ser praticada em Portugal, pelo menos para já. Se reflectisse bem na justificação da Federação Francesa de Esgrima, talvez mudasse de opinião. (Rui Barros, Inês Braga Sampaio, porquê Star Wars — assim, sem a gralha —, se entre nós o filme tem o título A Guerra das Estrelas?) Quanto aos dicionários, e apenas no que respeita a sabre, para começar? Para o dicionário da Porto Editora, é «espada curta de um só fio». Tendo em conta que na esgrima desportiva há três armas — florete, espada e sabre —, é assaz infeliz esta definição. No Grande Guégués da Língua Portuguesa, até o peso e o comprimento de cada uma das armas indicaria, o que não requer muito espaço. Quanto à atitude da Federação Portuguesa de Esgrima, deviam não apenas fazer aquela reflexão, como lembrarem-se de que o pai do olimpismo moderno chegou a propor que houvesse outra disciplina na esgrima: sabre disputado a cavalo. Nada é imutável.

 

[Texto 10 831]

Helder Guégués às 08:31 | favorito