Léxico: «tabopã/aparite»

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      «Claro que não se chamava Sandokan: chamava-se Feliciano e na época em que me vestiam de minhota, vestiam-no a ele de príncipe malaio, de turbante com esmeralda de vidro e bigodes de rolha, e trotava-me debaixo da varanda, com os pais, para o Carnaval do Éden, onde no fim dos palhaços desprendiam dúzias de balões do tecto e piratas de perna de pau enfiavam papelinhos desalmados no pescoço de fadas de cabelo loiro de estopa e varinha de condão de tabopã, sufocadas de lágrimas de humilhação» (Livro de Crónicas, António Lobo Antunes. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998, p. 147).

      Ainda um destes dias, nos Radicais Livres, Jaime Nogueira Pinto se mostrou todo admirado por Ruben de Carvalho usar as palavras aparite e tabopã. Enfim... Infelizmente, a Porto Editora acolheu o último com a grafia «tabopan» — o que não tem nada de português. Se o argumento, que não colhe, é o de que originalmente é uma marca comercial, tenho de lhes lembrar que se trata sempre de uma derivação imprópria, logo, em que há sempre um desvio. Então, porque não grafam «formica»? Ah... E ainda não registam tuvenã, como já sugeri. Como não registam aparite: «Erguiam-se, em coabitações irrisórias, paredes oscilantes de aparite e vastidões imponentes de mansões bradando riqueza, varandas largas, modelos importados da Sabóia, da Floresta Negra, telhados inclinados como se fosse nevar incontidamente este Inverno e paredes trabalhadas com esmero dentro de jardins bem cuidados, onde não faltavam artísticos desenhos de laguinhos, com peixes vermelhos e tufos de jarros muito brancos no meio» (Agrião!, Clara Pinto Correia. Lisboa: Relógio D’Água, 1984, p. 46).

 

[Texto 11 222]

Helder Guégués às 10:16 | comentar | favorito
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