Léxico: «talibé»

Os ínvios caminhos da língua

 

      «A reportagem Talibés, Escravos dos Tempos Modernos valeu ao fotógrafo Mário Cruz o seu segundo Grande Prémio em dois meses. Depois de vencer na Categoria Assuntos Contemporâneos do World Press Photo, o trabalho que testemunha o tráfico e a exploração de crianças e adolescentes que vivem em escolas corânicas do Senegal recebeu ontem o Estação Imagem, o maior prémio do fotojornalismo português» («Estação Imagem: mais um prémio para os talibés de Mário Cruz», Abel Coentrão, Mário Lopes e Lucinda Canelas, Público, 17.04.2016, p. 43).

      Em jornais, é a primeira vez que a leio. Talibé é o aluno de escola alcorânica ou o discípulo de um marabu. Usa-se, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, na Guiné-Bissau. Neste dicionário lê-se que a etimologia é o francês talibet, mas não é assim — em francês também é talibé. Na origem está o árabe literário talib, e o plural é talibé. Ao chegar ao francês, tomou-se o plural pelo singular e juntou-se um s para o pluralizar, o que é correcto e também sucedeu — embora muitos jornalistas não compreendam uma coisa tão básica — com talibã, que tem o mesmo étimo.

 

[Texto 6752]

Helder Guégués às 10:41 | comentar | favorito
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