Léxico: «tarbuche», de novo

Aprofundando

 

      «A cabeça calva de Mamdooh, uma cúpula reluzente da cor do café, está marcada por manchas ainda mais escuras e grandes sinais castanhos e irregulares. Sei que no exterior, sob o sol claro e impiedoso, costuma trazer sempre o seu tarbuche» (Iris e Ruby, Rosie Thomas. Tradução de Maria da Fé Peres. S. Pedro do Estoril: Chá das Cinco, 2015, p. 10). O vocábulo tarbuche, que sugeri no ano passado à Porto Editora e foi oportunamente registado, mereceu uma nota de rodapé à tradutora: «Outra forma de designação do fez, o barrete turco.» Para quê «fez» em itálico? A definição do dicionário da Porto Editora é a seguinte: «barrete masculino de origem turca, semelhante a um fez». Pode sempre dizer-se mais e melhor. Adalberto Alves (Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa. Lisboa: INCM, 2014, p. 813) diz-nos que é usado por turcos e árabes sujeitos à influência turca, e «que consiste num cone cortado no cimo e forrado de feltro vermelho c/ borla azul e, p. vezes, envolvido p. um turbante na parte inferior». Isto é quase uma ilustração.

 

[Texto 11 061]

Helder Guégués às 08:54 | comentar | favorito