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Linguagista

Léxico: «terrantês»

Isso no português arcaico

 

      «Até existe um ditado que recomenda Se tens uvas terrantês, não as comas nem as dês, para vinho Deus as fez» (O Último Cais, Helena Marques. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 3.ª ed., 1994, p. 42).

      Pouco se lê e ouve este vocábulo, terrantês. Ainda permanece nos dicionários: natural ou oriundo de uma terra, país ou povoação. Ali no provérbio, é substantivo, designa uma das mais antigas castas de uva de mesa branca, de bago redondo. Para o Vocabulário Ortográfico Português, do ILTEC, como substantivo é «terrantês/terranteses», o que é parente de... *alferezes, *arraizes, *caezes, *lápises, *ourivezes, *pirezes, *simprezes... Era assim no português arcaico (cfr. J. J. Nunes, Gramática Histórica Portuguesa. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1919, p. 229). Como adjectivo, regista «terrantês/terranteses; terrantesa/terrantesas». É vocábulo que, excepto para designar a casta de uvas, não se usa actualmente. Dantes falava-se em vinho terrantês, queijo terrantês, etc. Não dicionarizada, também existe a variante tarrantés, que é justamente a grafia que se usa em galego, a única registada pelo dicionário da Real Academia Galega. Contudo, Xosé Luís Franco Grande, no seu Diccionario Galego-Castelán (Vigo: Galaxia, 1968), aponta duas grafias, tarrantés/terrantés.

 

[Texto 6157]

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