Léxico: «transnistriano»

Têm azar, está visto

 

      «Como em qualquer cidade a que se chega sem saber o que ver, a viagem por Tiraspol, a capital da Transnístria ou Pridnestróvia (já vamos perceber a diferença...) começa pelo posto de turismo. Sim, o país e naturalmente a sua capital não é reconhecido por nenhum dos cerca de duzentos países que oficialmente existem no mundo ou por qualquer organização internacional, nomeadamente pelas Nações Unidas, mas tem um posto de turismo para responder à ténue procura por um Estado que existe sem, na verdade, existir. [...] A independência da Transnístria, onde vivem transnistrianos de origem russa, ucraniana e moldava, foi declarada em 1990, depois da independência da Moldávia em relação à URSS e do governo moldavo ter proibido a língua russa. [...] Apesar de conhecida por Transnístria (palavra romena), a população de origem russa que domina o país e declarou a independência prefere chamar-lhe República Moldava da Pridnestróvia (palavra de origem eslava). Além da origem linguística diferente, os diferentes nomes têm um outro peso: para os moldavos, em romeno Transnístria significa literalmente “para lá do rio Dniestre”, o curso de água que separa o território do resto da Moldávia» («Viagem a um país que não existe (e que faz 28 anos)», Nuno Guedes, TSF, 24.09.2018, 9h03).

      Mais um país para José Luís Peixoto descobrir. E os lexicógrafos, sim, porque nem esse reconhecimento os pobres Transnistrianos têm merecido, e a palavra anda há muitos anos em livros publicados cá. Azar.

 

[Texto 9982]

Helder Guégués às 15:08 | favorito
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