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Linguagista

Léxico: «tremedeira»

Digam-me que estão a brincar

 

      «No conto, [Guimarães] Rosa descreve a chegada da doença na pequena localidade: “Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano avançava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão da brava – da ‘tremedeira que não desamontava’ – matando muita gente”. Na história, o médico/escritor conta a saga de dois primos que lutam contra a doença numa “fazenda denegrida”, distante três quilômetros da vila. Todos os dias, eles se sentam ao sol, para se esquentar do frio causado pela febre. Um frio que “cai entre os ombros, e vai pelas costas, e escorre das costas para o corpo todo, como fios de água fina”, como descreve um dos personagens. E, ali, eles fazem um inventário de suas vidas, entre um acesso e outro de tremedeira. Do povoado, os moradores foram embora, “os primeiros para o cemitério, os outros por aí a fora, por este mundo de Deus”, nas palavras de Rosa» («Povoado que resistiu a epidemia está vivo», Fernando Granato, O Estado de S. Paulo, 14.05.2020, p. H3).

      Como é que esta palavra, nesta acepção, que ouvimos desde sempre, não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora?

 

[Texto 13 373]

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