Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Linguagista

Léxico: «urso-d’água-doce»

Não nos tirem o apóstrofo

 

      «Os tardígrados são pequenos invertebrados, geralmente com menos de um milímetro de comprimento, translúcidos, segmentados, com cabeça e quatro pares de patas com várias garras. É devido ao seu aspecto e por viveram na água e em ambientes húmidos, como o musgo, que também 
lhes chamam ursinhos-de-água. […] Os tardígrados têm características tão distintas que dentro do reino animal têm o seu próprio filo (unidade taxonómica em que se subdividem os reinos) — o filo Tardigrada. Estes animais foram descritos pela primeira vez em 1773 pelo zoólogo alemão Johann August Ephraim Goeze, que lhes chamou kleine Wasserbären (ursinhos-de-água). Três anos mais tarde, o biólogo italiano Lazzaro Spallanzani é que lhes atribuiu o nome Tardigrada, do latim tardus (lento) e gradus (passo)» («Ursinhos-de-água. Estes animais são tão incríveis que voltaram 
à vida ao fim de 30 anos congelados», Rita Ponce, Público, 23.01.2016, p. 32).

   Parece-me bem explicado — mas será mesmo esse o nome do animálculo? No que pensei de imediato foi que merecia um apóstrofo. Consultei o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e a surpresa foi ainda maior: urso-d’água-doce.

 

[Texto 6560]