Língua na estrada

Idade

imbecil

 

      «No regresso a casa volto a passar pela maior imbecilidade de sempre, escrita nas estradas e ruas de Portugal, nunca vi no estrangeiro, mas deve haver porque há tudo no estrangeiro, a começar pela imbecilidade, que é aquela maneira de escrever as saídas na vertical no alcatrão dividindo a palavra em dois e escrevendo a palavra ao contrário com a primeira parte da palavra em baixo, e portanto mais próxima do carro que avança, e a segunda em cima. Por exemplo, Mão Porti na saída para Portimão, Rios Sete na saída para Sete Rios, Porto Aero na saída para o Aeroporto. A explicação, já me explicaram, é que se o carro vai a andar a primeira coisa que se lê é Aero, e depois, Porto. Mas o depois é uma fração de segundo depois, seus imbecis, e os olhos não leem em braile, ou tipo scanner, veem a palavra e leem aeroporto, pumba já está lido não é aaaaa eeee roooo poooo rrr tooo. É daquelas imbecilidades de alguém que acha que é muito esperto. Um homem, claro. Engenheiro, talvez. Simpático, com ideias, daquele tipo muito português muito perigoso que é o burro que trabalha e que fala claro. E deve ter explicado tudo bem explicado e disseram-lhe que sim» («Porto Aero», João Taborda da Gama, Diário de Notícias, 11.03.2018, p. 56).

      João Taborda da Gama, actualmente o meu cronista favorito, tem razão, eu próprio já me vi em dificuldades para perceber estas indicações, qualquer que seja a velocidade a que sigamos. Na estrada, aliás, há muitas imbecilidades, desde a forma como se conduz, à sinalização e traçado das vias. Sim, sim, as palavras escritas daquela forma são uma imbecilidade.

 

[Texto 8901]

Helder Guégués às 13:18 | favorito