«Magro, magríssimo, macérrimo»

O cavalo magérrimo dos lexicógrafos

 

      «Um enorme mural, que ainda lá está, mostra um dos casais do século: Serge Gainsbourg e Jane Birkin, a inglesa lindíssima, magérrima, que gemeu “Je t’aime... moi non plus” para escândalo do mundo inteiro. Conheceram-se em Maio de 1968; ao princípio Jane não achou graça à pose arrogante dele, mas rapidamente cedeu à sedução da sua profunda timidez e imensa fragilidade» («Porque era ele, porque era eu», António Araújo, Diário de Notícias, 27.04.2019, 6h10).

      Aposto que António Araújo sabe que magérrimo não é a forma recomendada, mas sim macérrimo. Nem sempre, porém, é por opção consciente: o falante pensa que está bem, e usa-a. Perguntado sobre a opção, até a defende, se for preciso (sobretudo se se tratar de um intelectual). Bem, seja como for, se não a encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, tropeçamos nela no Dicionário de Neerlandês-Português da mesmíssima Porto Editora: a «uitgemergeld paard» corresponde «cavalo magérrimo».

 

[Texto 11 290]

Helder Guégués às 21:39 | comentar | favorito