«Meixão», de novo
Se puder ficar melhor
«A Unidade de Controlo Costeiro apreendeu, na sexta-feira, nove quilos de meixão na localidade de Vieira de Leiria, concelho da Marinha Grande, informou este sábado a GNR. [...] O meixão é a designação dada à enguia europeia em fase larvar, uma espécie “considerada em perigo e que tem sofrido grande redução no número de efetivos” devido à pesca ilegal, “impedindo desta forma o normal ciclo de reprodução, colocando em causa a sustentabilidade da espécie”, realça a GNR» («GNR apreende nove quilos de meixão na Vieira de Leiria», Rádio Renascença, 5.01.2019, 12h16).
Notícia que me leva a reapreciar a definição de meixão no dicionário da Porto Editora, que reza assim: «larvas metamorfoseadas da enguia europeia [mas, no verbete desta, é enguia-europeia que aparece dicionarizada], da espécie Anguilla anguilla, que aparecem em águas costeiras, antes de migrarem para as águas interiores onde crescem, e que constituem uma espécie protegida, por ameaça de sobreexploração; enguia-de-vidro; angula». O que ponho em causa é o que ali deixei destacado: serão mesmo larvas metamorfoseadas? Se a larva é uma fase da metamorfose, não me parece fazer sentido. Assim, optaria pela formulação do artigo, «enguia-europeia em fase larvar». (O termo «sobreexploração» trouxe-me à mente sobreelevação, que disse aqui que o dicionário da Porto Editora não registava. Continua a ser assim. Estranhamente, encontramo-lo — com a grafia «sobre-elevação» — no Dicionário de Alemão-Português para traduzir Überhöhung. Outros têm ficado pelo caminho, e nem todos — sirva este de exemplo — será por discordarem de mim. Será talvez por distracção.)
[Texto 10 545]