«Número Zero»

Sem apuros nem revisor

 

      «A partir deste ponto, Umberto Eco [na obra Número Zero, com tradução de Jorge Vaz de Carvalho e publicado pela Gradiva] lança-se numa fábula desvairadamente cómica sobre a prática jornalística com o “doutor” Colonna a vigiar o estilo e guiar os colaboradores – uma equipa oriunda dos mais rocambolescos recônditos – no apuramento de uma linguagem que, como recorda Simei, se dirige a leitores com uma “mentalidade de doze anos”, seja qual for a verdadeira idade. O jornal chamar-se-á Amanhã para contrariar todos os outros que dão notícias da véspera e não terá revisor – uma espécie extinta – uma vez que os consumidores já estão habituados a ler sobre “de Beauvoire ou Beaudelaire, ou Rooswelt nos grandes diários” e não vale a pena alarmá-los com purismos» («Uma cultura monstruosa», Helena Vasconcelos, «Ípsilon/Público, 5.06.2015, p. 25).

      O que me parece é que esse Amanhã já não vem a tempo de inspirar a imprensa portuguesa de hoje, imbuída dos mesmos desvalores.

 

[Texto 5943]

Helder Guégués às 10:26 | comentar | favorito
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