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Linguagista

O aposto e a pontuação

Gramática no Gambrinus

 

      «O Papa Francisco vê a terra [sic] dividida e subdividida, à beira
 de catástrofes localizadas, mas perigosas. O islão continua
 numa guerra civil, que dia a
dia se alarga e que as potências cuidadosamente ignoram. A África começa a ser penetrada pelo jihadismo mais feroz e as tribos do Afeganistão, do Iémen ou da Líbia estão muito longe de constituir nações. Putin pensa em anexar a Ucrânia. A Europa impotente e fragmentada assiste sem reagir» («O Papa e a guerra», Vasco Pulido Valente, Público, 14.06.2015, p. 56).

    Neste tipo de aposto, que pode ser suprimido sem prejuízo do significado geral da frase («A Europa assiste sem reagir»), é necessário usar vírgulas. «A Europa, impotente e fragmentada, assiste sem reagir.» Ou: «Impotente e fragmentada, a Europa assiste sem reagir.» Ou: «A Europa assiste sem reagir, impotente e fragmentada.» E, se o transformássemos numa oração relativa explicativa, continuava a ser aposto e a precisar de vírgulas: «A Europa, que está impotente e fragmentada, assiste sem reagir.» O aposto explicativo (o mesmo sucede com as orações parentéticas, como esta) é sempre pronunciado como um bloco prosódico independente, marcado pela entoação. Gostava, por isso, de ouvir Vasco Pulido Valente ler esta sua crónica. Podíamos combinar para o Gambrinus, mas não hoje, que estou na casa da Guia.

 

[Texto 5974]

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