O defuntíssimo verbo «pôr»

Os ombros e o Sol

 

 

      «Da próxima vez que eu estiver na mesma sala que Proença de Carvalho vou procurar roubar-lhe a carteira, e quando ele gritar “agarra que é ladrão”, colocarei o braço à volta do seu ombro e direi em tom melífluo: “Ó sotôr, autos-de-fé e julgamentos no pelourinho ficam-lhe muito mal. Aguarde pelo contraditório, se faz favor”» («Proença, Salgado e o contraditório», João Miguel Tavares, Público, 2.09.2014, p. 40).

      Seja qual for a intenção, já ninguém põe o braço nos ombros dos outros. Pobre verbo «pôr». No domingo, numa reportagem do Curdistão Iraquiano, José Rodrigues dos Santos (o jornalista, não o romancista) dizia: «O Sol está a pôr e encontramo-nos em plena linha da frente numa estrada que faz a defesa de Erbil juntamente com os Peshmerga [sic] que se encontram nesta posição adiantada.»

 

[Texto 5005]

Helder Guégués às 10:17 | comentar | favorito
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