O drama da França

Da Estrige a minha nossa

 

      «Os 387 degraus que conduzem os visitantes até às torres da catedral revelam uma galeria de quimeras — criaturas míticas compostas por mais do que um animal. A mais famosa é a gárgula “Stryge”, que fica no topo da catedral, enquanto contempla Paris com a cabeça apoiada nas mãos» («Fotogaleria. O símbolo de Paris antes das chamas», Rádio Renascença, 15.04.2019, 19h31).

      Sempre mortinhos por escreverem noutra língua qualquer... Em português, é estrige que se diz. Sim, a Catedral de Notre-Dame é um símbolo de Paris, e até da Europa. Nas primeiras páginas dos jornais de hoje, é isso mesmo que se lê no Público: «Notre-Dame da Europa». O melhor título, e página, pelo jogo de palavras, é do francês Libération: «Notre Drame». Um que me deixou de pé atrás foi do nosso i: «Minha Nossa Senhora». Remete-nos (ou pelo menos a mim) logo para o «minha nossa», a exclamação de espanto da fraseologia brasileira, assim algo entre o excessivo, mesmo contraditório — é «minha» e é, ao mesmo tempo, «nossa» —, e o lamechas.

 

[Texto 11 194]

Helder Guégués às 14:30 | comentar | favorito
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