O que é a «positio»

Não me parece

 

      «Houve críticas dentro da própria Igreja Católica, com o editor de religião da revista Newsweek, Kenneth Woodward, a escrever uma carta à publicação católica First Things a dizer que “o Opus Dei subverteu o processo de canonização para conseguir beatificar o seu homem. Numa palavra, foi um escândalo – desde a conduta dos tribunais à escrita do positivo e ao tratamento dos especialistas escolhidos para julgar o caso”» (Opus Dei – Eles Estão no meio de Nós, Rui Pedro Antunes. Lisboa: Matéria-Prima Edições, 2016, p. 173).

      «Positivo»? Só pode ser confusão. Não apenas nunca vi a palavra traduzida, como a tradução não seria essa. É positio, em latim, e foi precisamente ontem que a li num artigo do Público, da autoria da jornalista Natália Faria, a propósito da canonização da Ir. Lúcia: «Concluída a fase diocesana, um relator nomeado pela Santa Sé deverá elaborar a chamada positio — um compêndio dos relatos e estudos realizados por uma comissão jurídica. Será este texto, que poderá demorar ainda dois a três anos a ser redigido, que definirá se a Igreja deve declarar as virtudes de santidade de Lúcia Rosa dos Santos — nome civil da carmelita» («Canonização da irmã Lúcia passa para as mãos da Santa Sé», Público, 14.02.2017, p. 15). Salvo erro, não é o relator que elabora a positio, mas o postulador, com o auxílio de um colaborador e na dependência do relator. E positio é a redução de positio super vita, virtutibus et fama sanctitatis (ou super martyrio), ou seja, «posição sobre a vida, virtudes e reputação de santidade (ou sobre o martírio)». Já esta semana, também vi escrito, erradamente, «posicio». Quem o escreveu, é claro, nunca lera a palavra nem conhecia o conceito.

 

[Texto 7481]

Helder Guégués às 20:22 | comentar | favorito | partilhar
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