O valor dos tempos verbais

O mistificador

 

     «Durante o debate, o ministro [Crato] foi acusado de ter mentido ao Parlamento, a 18 de Setembro, quando afirmou que os professores colocados, dias antes, no âmbito da BCE, se manteriam e ninguém seria prejudicado. “Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal”, começou ontem por dizer o ministro. Acrescentou que, quando disse que “os professores colocados mantêm-se”, queria dizer “como é evidente” que se mantinham “até à nova lista de colocação corrigida, que tacitamente revoga a anterior”. Assim, frisou, disse “mantêm-se” e não “manter-se-ão”» («Docentes prejudicados no concurso podem vir a ser compensados», Maria João Lopes, Público, 9.10.2014, p. 10).

    Sendo assim, quando afirmou que os professores se mantinham e não que se manteriam não estava a prometer nada. Só que, na altura, parecia — e pareceria a qualquer pessoa de boa-fé — uma promessa. Uma mistificação completa. É a ocasião para os professores (e os sindicalistas, que têm mais tempo) reverem o valor dos tempos verbais.

 

[Texto 5133]

Helder Guégués às 07:06 | favorito
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