Género neutro?

Eleito ou eleita

 

      «E o que é que eu pensei? Que o deputado de 70 anos é uma pensionista. Não diz lá o nome. Mas houve uma coisa que achei estranho, porque diz “o deputado” e “a pensionista”; podia ter dito “a deputada”, mas eu fiquei “bom, se calhar usou “o deputado” como género neutro, e mantive deputado”» («Rodrigues dos Santos refere-se a deputado do PS como tendo sido “eleito ou eleita”, mas assume que foi um equívoco», Catarina Marques Rodrigues, Observador, 8.10.2015, aqui).

      Sobre a substância da questão, não me vou, até por considerar que seria uma perda de tempo, pronunciar. Este é — lembram-se? — um blogue sobre a língua. Já aquele «género neutro» me interessa, e muito. Percebo o que quer dizer, José Rodrigues dos Santos, mas está errado. Género neutro é outra coisa. O género neutro existia, e teve grande importância, no indo-europeu e no latim clássico, mas nas línguas novilantinas não restam senão vestígios muito ténues dele. E não podia ser de outra maneira, dada a origem popular destes idiomas. O género neutro — palavra de origem latina que significa «nem um nem outro, nem masculino nem feminino» — era um artifício para referir os seres inanimados, que não têm sexo. Quando dizemos, por exemplo, que o Homem é o maior inimigo do Homem, empregamos o vocábulo em sentido universal. É disso que se trata.

 

[Texto 6307]

Helder Guégués às 11:19 | comentar | favorito
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