Ortografia: «Bahia»

Por tradição

 

    «Mas o arqueólogo e investigador acha que, “pela similitude que apresenta com o San José, a nau Santa Rosa será o caso mais emblemático”. Explica tratar-se de “uma embarcação de 66 canhões, construída em Lisboa em 1716”, que foi destruída “num incêndio e subsequente explosão nos paióis da pólvora, em 1726, quando regressava da Bahía a Lisboa”, e quando transportava cerca de 10 toneladas de ouro — pereceram então 700 portugueses. Deverá encontrar-se “em águas territoriais brasileiras, ao largo do cabo de Santo Agostinho, Pernambuco”, acrescenta Alexandre Monteiro, notando que, “um dia destes, Portugal terá que se confrontar com um destes casos”: um navio com a sua bandeira de Estado, “com um tesouro a bordo, pronto a ser vendido em leilão”» («Um galeão afundado, com ou sem tesouro, também é política», Sérgio C. Andrade, Público, 26.12.2015, p. 27). 

      O erro espreita sempre. O nome do Estado nordestino é grafado com h medial, sim, mas sem acento agudo no i, porque antigamente o h era utilizado para indicar o hiato (bahia, cahir, sahir, etc.). Quando deixou de se usar o h para este fim, o hiato passou a ser indicado pelo acento. O Estado da Bahia, contudo, manteve a grafia tradicional. Em castelhano é que se escreve bahía. Ora, não afirmou Afrânio do Amaral (1894-1982) que «bahia» é espanholismo?

 

[Texto 6502]

Helder Guégués às 10:46 | comentar | favorito
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