Ortografia e jornais

Henrique, o Inverificador

 

      Vamos agora para coisas mais miúdas. «A este propósito da diversidade, bastaria ver a votação de terça-feira para a detetarmos. Gente de todas as etnias, vestidas de formas que iam do ‘ultraformal’ ao ‘estilo campista’, temos representantes. Até para o mau-gosto piroso, como Berlusconni, que com a mão direita entrapada fazia questão de distribuir sorrisos e apertos de mão (com a esquerda)» («Ursula: a surpresa da normalidade», Henrique Monteiro, Expresso Diário, 17.07.2019).

      Henrique Monteiro, salta à vista, é muito mais cuidadoso na escrita do que muitos outros jornalistas — mas também descura certos aspectos, como, neste caso, o nome de um político. Como jornalista, não é o que devia fazer, verificar? É Berlusconi. E em que dicionário viu Henrique Monteiro a grafia «mau-gosto»? Aqui entram os dicionários: porque é que não registam, no verbete gosto, a subentrada «bom gosto» e «mau gosto»? Sim, há outras: «bom humor»/«mau humor», etc. Diga-se também, vem mesmo a propósito, que não há em Portugal, do que conheço, jornal que, na edição em linha, aplique tão indecorosamente mal as regras do Acordo Ortográfico de 1990 como o Expresso. Se respeitassem, como deviam, os leitores, deixavam hoje mesmo, agora, de aplicar a execrável nova grafia e dedicavam-se a reaprender as regras do Acordo Ortográfico de 1945. Demoraria, mas o progresso seria mais seguro. Teria de haver novo período de transição, agora para trás.

 

[Texto 11 805]

Helder Guégués às 11:52 | favorito
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