Ortografia: «enviesado»

Invigilante, o erro

 

      «Além disso, ao serem reunidos e compactados em álbuns fotográficos representativos da “classe criminosa” ou da “turba medonha”, os sujeitos implicados perdem inexoravelmente a individualidade a que deveriam ter direito em qualquer circunstância, e que apenas ressurgirá nos raros casos de uma súbita ainda que inviesada celebridade, alcançada por divulgação desses mesmos retratos nas primeiras páginas dos jornais ou em “galerias de criminosos célebres”, um género editorial que fez época» («Caleidoscópios do crime», Vasco Rosa, Observador, 30.07.2018, 16h05).

      Entretanto, já Vasco Rosa saberá que não é assim que se escreve a palavra. Um momento invigilante, e eis que surge o erro. Há, é verdade, palavras que se escrevem quer com o prefixo in- quer com o prefixo en-, mas não é o caso desta. Enviesado. Haverá aqui confusão com «invés»? Talvez. Certo é que não é o único erro em que a palavra, inocente, se vê envolvida: já a vi escrita com z.

 

[Texto 9963]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | favorito
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