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Linguagista

Ortografia: «ítalo-suíço»

Até nisto erram

 

      «Este filho de mãe italiana suíça e de pai catalão foi eleito pela primeira vez por Evry, município popular a Sul de Paris, aos 23 anos, e demonstrava já as suas ambições. Dizia não querer observar “o camarim presidencial a partir da [sic] orquestra na qual esperam que eu me mantenha à espera da minha vez”. Em 2001, foi eleito presidente da câmara de Evry» («Valls, o ambicioso que quer modernizar a esquerda», Público, 3.12.2016, p. 25).

      Dizem que sabem, mas depois, afinal, não sabem. Então na formação de adjectivos pátrios o elemento ítalo- não se liga com hífen à palavra seguinte? A mãe de Manuel Valls é ítalo-suíça.

 

[Texto 7297]

6 comentários

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    Anónimo 04.12.2016 00:54

    Mas, neste caso, em que a senhora é da partek italiana da Suíça, da Suíça italiana, não se deveria escrever suíça italiana sem o hífen? O erro do jornal terá sido apenas a inversão da ordem adequada.
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    Helder Guégués 04.12.2016 09:13

    Não.
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    Anónimo 04.12.2016 17:03

    É então suíça-italiana, já que não é, neste caso, como o Helder mesmo admitiu, ítalo-suíça? Eu sei que o blogue tem por tradição deixar aos leitores abertas as questões para que as discutam, mas há várias propostas de solução, das quais nenhuma, nem a inicialmente feita pelo próprio blogue, parece resolverem a questão.
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    Helder Guégués 04.12.2016 19:16

    É isso mesmo: muitas vezes, o meu mérito está apenas em questionar, propor a questão. 

    Neste caso, dizer-se «suíça de língua italiana» não resolverá o problema?

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    Anónimo 04.12.2016 19:40

    Resolve-o, com a vantagem da maior precisão, mas com a desvantagem da menor concisão. E a lei da economia linguística é implacável: a concisão se impõe à exatidão, mormente quando esta é apenas aparentemente sacrificada, e o contexto afasta ambiguidades. 


    No Brasil, por exemplo, em que há milhões de descendentes de italianos e de japoneses (o maior número de descendentes desses povos fora da Itália e do Japão), diz-se ítalo-brasileiro e nipo-brasileiro sem que ninguém entenda tratar-se senão de brasileiros com antepassados italianos e japoneses, ainda que seja um único dos dezesseis trisavós.


    Já não se diz luso-brasileiro senão para os brasileiros com ascendência portuguesa muito recente, já que a mais antiga foi absorvida na formação da nacionalidade brasileira, assim como a formação da nacionalidade americana absorveu a ascendência inglesa: no censo americano, há mais pessoas que se dizem descendentes de alemães e de italianos que de ingleses, o que nem de longe corresponde à realidade. Assim como no Brasil, em que todas as outras etnias que concorreram para a formação do povo brasileiro têm, somadas, menos pessoas do que as descendentes de portugueses, estimados em cem milhões de brasileiros.
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