Ortografia: «nariz-de-cera»

Eu diria que está bem

 

      «Mas o que tem irritado mesmo Jeremias nos últimos tempos é o início das resposta [sic] a uma qualquer pergunta: “Eu diria que...” A epidemia alastra. Abundam por aí oradores e comentadores que iniciam suas doutas dissertações com um pomposo “eu diria que...”» («A epidemia dos ‘narizes de cera’», Victor Bandarra, «Domingo»/Correio da Manhã, 10.11.2019, p. 24).

      Conheço vários jeremias, e, como o desta crónica, «do tempo da 4.ª classe bem tirada». Como todas as generalizações, também esta é má: para quê desprezar o «eu diria que» e os falantes que o usam? É tipicamente o texto de encher chouriços. E, já agora, saiba Victor Bandarra — pena foi que o Jeremias da 4.ª classe bem tirada não lho dissesse — que se escreve nariz-de-cera, com hífenes e sem aspas. Sobretudo sem aspas, diacho!

 

[Texto 12 388]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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