Os nomes dos ventos

Muitas lacunas

 

      «A costa algarvia será afetada por condições de agitação marítima provenientes de sueste, conhecida como ‘Levante’, prevendo-se ventos de 56 quilómetros por hora e ondulação forte, alertou esta segunda-feira a Autoridade Marítima Nacional (AMN). [...] Segundo a AMN, o pico do ‘Levante’ está previsto, para a madrugada de quinta-feira, “em que se preveem ventos que poderão atingir cerca de 56 quilómetros por hora e ondulação com altura significativa de cerca de dois metros junto à costa, e 2,5 metros ao largo”» («Alerta para ondas de dois metros e vento forte na costa algarvia», Rádio Renascença, 24.09.2018, 22h41).

      Para quê a maiúscula inicial? Os nomes dos ventos grafam-se com minúscula: áfrico, alísio, aquilão, austro, harmatão, suão, simum, siroco, subsolano, tramontana... Mas os dicionários também erram. Assim, porque grafa o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora aquilão com maiúscula? Dicionário que não regista, por exemplo, adalor, camacheiro, camsim, formigueiro, garroa, mata-vacas, palmelão, solano, surim, etc. Na TSF: «A costa algarvia vai ser afetada, nos próximos dias, por vento quente de sudeste, conhecido por “levante”, prevendo-se um aumento da agitação marítima, com ondas a atingirem mais de 1,5 metros de altura, alertou esta segunda-feira a autoridade marítima» («Vento levante afeta costa algarvia esta semana. Autoridade marítima pede cuidado», 24.09.2018, 23h46). Mais: em rigor, e tanto quanto sei, é ao vento que determina a agitação marítima que se dá o nome de levante, e não à própria agitação marítima.

 

[Texto 9987]

Helder Guégués às 08:19 | favorito
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