Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Linguagista

Os parênteses discriminadores

Mais palavras, mais disparates

 

 

      «Haverá coisas bem mais graves, a começar pela desigualdade real (e não semântica) entre géneros em Portugal, mas quando um Governo faz questão de se empenhar tanto, a ponto de elaborar planos nacionais e encomendar um estudo a propósito, o mínimo que se lhe exige é que seja o primeiro a dar o exemplo. Ora não é isso que sucede nos textos dos próprios planos governamentais, quando o género feminino aparece não em pé de igualdade gráfica mas entre parênteses. Ou seja, em lugar de lermos “conselheiro/a”, lemos “conselheiro(a)”. Sendo que o parênteses remete para uma indicação acessória, enquanto a barra sugere uma representação simétrica. Tão empenhado nesse aleijão técnico que é o acordo ortográfico, o Governo podia, ao menos, esforçar-se por seguir as regras que ele próprio estabelece em matéria de “linguagem inclusiva”. Pelos vistos, é mais lesto a aceitar erros como lei de escrita do que a seguir regras de senso comum» («A igualdade entre parênteses», editorial, Público, 22.01.2014, p. 44).

      Quer dizer, para o inefável editorialista, a igualdade é estabelecida ou indicada, na escrita, pela barra (que ele/ela deve conhecer por slash), pois que os parênteses são claramente discriminadores. Ainda vai acabar por defender o estabelecimento de quotas para estes inócuos sinais gráficos. Esta vai para a galeria, para o florilégio.

 

  [Texto 3903]

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    Montexto 22.01.2014 21:34

    Tb pode arquivar essa no espicilégio da calinada.
  • Comentar:

    Comentar via SAPO Blogs

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.