Os peixes no dicionário

Perdido na sinonímia

 

      «É o caso do biqueirão, que é a base dos tradicionais biqueirões albardados, típicos de Olhão, ou o litão. Este parente do tubarão come-se seco e ainda hoje é muito apreciado na região como substituto do bacalhau e tem até lugar à mesa na consoada» («Sabores do mar e tradições da serra algarvia animam gastronomia», «Suplemento Algarve»/Correio da Manhã, 13.06.2018, p. 4).

      O tratamento destes termos nos dicionários não é satisfatório. Vejamos: no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, de litão remete-se directamente para cação e, neste verbete, para a primeira acepção, «nome extensivo a peixes seláquios das famílias dos Carcarídeos, Cilídeos e Espinacídeos, também conhecidos por bruxa, carraça, cascarra, chião, leitão, melga, papoila, pata-roxa, pique, etc.». Ontem, ao almoço, comi arroz com pata-roxa. No dicionário da Porto Editora, de pata-roxa remete-se directamente para bruxa e, neste verbete, para a sexta acepção, «nome vulgar de alguns peixes seláquios, da família dos Cilídeos (cação, gata, pata-roxa, pintarroxa, etc.)». Sem um tratamento individualizado, e com o imprescindível nome científico, será em vão que tentaremos saber mais. E a confusão por essa Internet fora — onde muitos já fundamentam tudo o que se possa afirmar sobre a língua — entre pata-roxa-gata e pata-roxa-denisa é de fazer corar o mais leigo.

 

[Texto 9397]

Helder Guégués às 09:29 | comentar | favorito | partilhar