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Linguagista

«Palavra do Ano»

Sem rapapés: é monopé

 

      Nesta altura do ano, podemos contar com uma tradição tão arreigada como a do Dia das Bruxas: é a Palavra do Ano® da Porto Editora. Entre as dez palavras candidatas deste ano, está «bastão de selfie», e não «pau de selfie». Ou seja, uma locução. Paulo Rebelo Gonçalves, da Porto Editora, tentou explicar — e eu tentei perceber: «Foi considerado pela nossa equipa que é a designação correcta.» E porquê? Pois porque se trata de um «instrumento que reflecte a realidade e não nos reduzimos à dimensão ortográfica da palavra». Em que outra dimensão estava a pensar, nem pistas. E eu que pensava que a um instrumento com aquela forma e função se chamava monopé. Claro que não lhes podia ocorrer tal, pois o Dicionário da Língua Portuguesa daquela editora o mais aproximado que regista é monope, «que tem um só olho, monoftalmo». Ora, qualquer criatura monope, até o Ciclope, vê menos, acho eu, do que uma criatura como nós. Aqui entre nós, é bem provável que a preferência nacional descambe em «stick de selfie».

 

[Texto 6443]