«Papua-Nova Guiné» — uma coisa absurda?

Onde está a absurdidade?

 

      Pediram a minha opinião sobre este texto de Teresa Álvares, no Ciberdúvidas: «Faço um pedido aos jornalistas: não escrevam nem digam “Papua Nova Guiné”. Não é maneira de designar um país. Este disparate, creio que importado do jornalismo norte-americano, equivale a chamar à Holanda “Holandês Países-Baixos” ou à Grã-Bretanha “Inglês Reino Unido”, etc.

      Se quiserem gastar palavras em vão, digam Papuásia, Nova Guiné, ou Nova Guiné, Papuásia. Papuásia é o nome antigo, hoje substituído por Nova Guiné. Papua indica o indivíduo da etnia dos papuas, uma das que habitam este país da Oceânia.

      Compreendo que não queiram confundir Nova Guiné com Guiné. Mas, para o fazer, não é preciso escrever coisas absurdas» («Inglês Grã-Bretanha?», 24.07.1998).

      Nunca tinha dedicado um instante a semelhante questão — porque não via aí um problema. Para mim, era um dado adquirido que se tratava de dois territórios unidos, como Bósnia-Herzegovina (ou, na designação oficial, Bósnia e Herzegovina). Analisado o caso, não me parece que deva mudar de opinião. Vejamos. A Papua-Nova Guiné, a norte da Austrália, ocupa a parte leste da segunda maior ilha do mundo, a Nova Guiné, o arquipélago de Bismarck e outras ilhas vizinhas. «Em 1884, a Grã-Bretanha fundou a cidade de Porto Moresby, no sul, como ponto de governância do território de Papua, um protetorado. No mesmo ano de 1884, a Alemanha estabeleceu sua base em Finschafen, no norte. Em 1906, Papua tornou-se território australiano e a Nova Guiné Alemã mais tarde (após a Primeira Guerra Mundial) foi também administrada pela Austrália. Os dois territórios foram unidos após a Segunda Guerra e nomeado Território de Papua e Nova Guiné» (Globalização e Identidade Nacional, João Rodrigues Barroso. São Paulo: Editora Atlas, 1999, p. 43).

 

[Texto 9851]

Helder Guégués às 14:31 | favorito
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