«Pinas» e pancas

Em que se fala de Alcácer Quibir

 

 

      «É ironia do destino que a coxa, músculo que só se move para a frente, nos atrase historicamente. Por causa dela perdemos Badajoz e Tui, que são “pinas”, diria um mestre da bola, comparados com o que podemos perder com a Alemanha na próxima semana. Outra ironia é um povo de grandes desígnios universais estar tão dependente de partes menores do corpo. As pancas de D. Sebastião, que nos levaram a Alcácer Quibir e a baixar de divisão, nasceram das suas maleitas venéreas» («A tendinite que nos aperta o coração», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 5.06.2014, p. 48).

     O tal engenheiro queimado por mil sóis africanos também diz, com muita frequência, que isto ou aquilo são «pinas». Estes não vivem debaixo de nenhum «protectorado». «Panca» (aqui, maluqueira, mania pouco lógica ou irracional) é a simplificação, no português antigo, de palanca, o nome que em latim se dava ao pau grosso, semelhante à porra, que era usado como alavanca. De «palanca» deriva o verbo «apalancar» – fazer oscilar –, que conheço há muito.

 

[Texto 4676]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | favorito
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